23/05/2014

O lado B de Joshua Slocum, artigo assinado por Eugênio Herkenhoff.

Josua Slocum
A 2ª vida de um capitão louco pelo Brasil


Aquele velho marinheiro de paletó surrado e chapéu de aba longa, o Josua Slocum que conhecemos, o primeiro homem a completar a volta ao mundo em solitário a vela (e sem motor, diga-se de passagem) a bordo do Spray é apenas uma ponta da história passada na fase final da vida deste valoroso homem do mar e cidadão do mundo.











Slocum colecionava um passado não apenas de fama, de aventuras (5 voltas ao mundo) e de glórias, como respeitado capitão de longo curso de alguns importantes navios de comércio no final do século XIX, mas também de perdas e miséria material, de derrotas em processos, de luta em mares tenebrosos, e de perda de pessoas da família e de grandes amigos à bordo.

Breve Histórico
Canadense de origem e naturalizado americano na idade adulta, Josua veio de uma humilde família marinheiros e artesãos da baía de Fundy, na Nova Escócia. Aos 11 anos já trabalhava com seu pai na confecção de botas de pesca para regiões alagadas, e as escondidas produziu uma maquete de um grande navio à vela que ao final seria o seu destino. Aos 14 fazia sua primeira experiência como cozinheiro de bordo e moço de convés de uma goleta de pesca entre o Canadá e o Alasca. Aos 16 anos embarcava em sua primeira viagem transatlântica como marinheiro rumo a Dublin, e a partir daí nunca mais abandonou o mar. 

Com o declínio da vela como propulsão de navios comerciais no final do século XIX muitos dos grandes capitães de longo curso logo procuraram novas posições em companhias que usavam navios a vapor. Josua, resistia, já que, incessantemente, ascendia numa carreira firme como capitão de grandes navios, dentre os quais o Washington, aos 25 anos e o B. Aymar a seguir, entre portos do mundo inteiro, como China, Hong Kong, Filipinas, Rússia, Alasca, Estados Unidos, Europa, América do Sul e Austrália,  

Aparentemente fez apenas 2 experiências como capitão na navegação a vapor e logo viu que para permanecer com vantagem no apaixonante e animado transporte à vela deveria ser ele mesmo o proprietário do barco. Assim possuiu o veleiro Pato (45 ton.), o Amethyst (350 ton.), uma parte na sociedade do imponente e famoso Northern Light (1.800 ton. e 220 metros), e o Aquidneck (365 ton.).

No dia 2 de julho de 1895, aos 51 anos, parte para a sua histórica aventura de volta ao mundo, atravessando o Atlântico até Gibraltar e em seguida nova travessia em direção ao Brasil, estratégia escolhida para aproveitar os ventos Alísios. Em seguida para o cabo Horn, Pacífico, Austrália, África do Sul até os Estados Unidos novamente.

Em 14 de novembro de 1909, com 65 anos, em meio a uma situação meteorológica hostil, desaparece no mar a caminho da Venezuela e do Brasil (queria explorar os rios Orinoco e Amazonas).


’’Você não possui um barco, você cuida de um’’ (antigo ditado inglês)

Seu estilo próprio que misturava o caráter duro, obrigatório no ofício, com um inegável gosto pelo lado lúdico da profissão e a preocupação de deixar registrada a sua experiência para a posteridade, tornava-o diferente da maioria dos outros capitães do seu tempo.

Slocum aproveitava de situações de pausa como capitão para reescrever e organizar seus escritos e, para nossa sorte, e deixou alguns bons livros ricos em detalhes sobre cada uma de suas grandes navegações, todos de fácil leitura e com uma grande quantidade de detalhes instigantes e interessantes sobre as diversas faces de suas aventuras(‘’The Voyage of the Liberdade’’, "Voyage of the Destroyer from New York to Brazil",’’The Voyage of the Aquidneck and its Varied Adventures in South American Waters’’, "Sloop Spray Souvenir Booklet", "Voyage around the Horn" e ‘’Sailing Alone Around the World’’). 

Casou-se com Virginia Walker, uma australiana de origem americana, com quem teve 7 filhos (dos quais 3 morreram a bordo ainda bebês. O toque feminino de Virginia na decoração interna e externa do Northern Light foi elogiado no New York Tribune na época, se referindo sua cabine de luxo que se assemelhava a um verdadeiro palácio, onde inevitavelmente eram embarcados o piano da esposa e a biblioteca de Josua. Na época não era comum a presença de mulheres à bordo.

Alguns fatos marcantes na vida de Josua se passaram a bordo deste navio que não cessava de singrar os mares do mundo inteiro. Seu prezado 2º capitão foi assassinado com uma facada em um motim. Na ocasião o próprio Josua foi salvo pela esposa fortemente armada e que cuja ação foi decisiva no controle da rebelião e prisão dos amotinados. Em, outra situação, com o leme quebrado e o navio inundado escapou de um eminente naufrágio na África do Sul. Na cidade de Antonina - PR, Josua lutou corpo a corpo com ex-tripulantes, armados de faca, que queriam se apoderar do Aquidneck e terminou por ferir 2 e matar 1 deles a tiro. Por este fato foi processado e absolvido.   

Virginia o acompanhou a bordo até a sua morte, de causa desconhecida, aos 34 anos na Argentina. Este fato marcou a vida de Slocum, agora com 39 anos. Estas lembranças tristes o acompanharam pelo resto da vida.  


Brasil - Terra do amor e da boa maldição

Josua era apaixonado pelo Brasil, e mais ainda pela região da baia do Paranaguá que já conhecia de outras viagens, Em seu livro ’’The Voyage of the Aquidneck’’ elogia o carinho, o jeito amoroso da população e o fino respeito que havia entre os membros das famílias que os receberam. Descreve também, com grande riqueza de detalhes, as características canoas a remo do litoral do Paraná.

Grande parte de suas viagens incluíram  aportagens e permanência em diversas outras cidades brasileiras, cujas principais citações foram nos estados de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, além do Paraná, sempre com elogios à boa recepção do povo.

Com o Aquidneck adentrou pela bacia do Prata e subindo pelo rio Paraná alcançou a cidade de Rosário, na Argentina onde carregou uma boa quantidade de fardos de alfafa com destino ao Rio de Janeiro. 

Após alguns carregamentos entre cidades do sul uma nova tripulação formada por brasileiros foi contratada em Montevidéu, após o abandono de sua tripulação original devido a uma suspeita de contaminação pelo cólera, ocasião em que foi obrigado a passar por um período de quarentena e desinfecção à bordo, na Ilha Grande - RJ.

Fortemente elogiados como excelentes marinheiros, Josua ressalta que os brasileiros melhoraram muito o humor a bordo. Porém, mais uma vez perseguido pela falta de sorte, a tal tripulação acabou por se contaminar por uma epidemia de varíola, ocasião na qual 2 deles faleceram. Diante desta situação de caos, e a formação de uma enorme tempestade, o característico ’’Pampero’’. Josua, pessoalmente, ajudado por seu filho e o único marinheiro que ainda estava de pé conseguiram controlar o navio estabelecendo algumas poucas velas, aportando novamente em Montevidéu e salvando o restante da tripulação.

De retorno ao Brasil com nova tripulação parte desconhecida e parte da inicial americana, decidiu carregar com madeira nobre em um porto improvisado à margens de um rio na baía de Paranaguá-PR, com destino aos Estados Unidos. Após uma situação de dificuldade de virar de bordo, causada pela forte corrente e ventos muito fortes o Aquidneck terminou por encalhar em um banco de areia na baía dos Pinheiros.

Conforme suas próprias palavras o fato de perder este navio foi para ele ’’uma grande dor, difícil de suportar’’... O Aquidneck, segundo ele, era a ’’obra-prima  da beleza e da graça’’. 
’’A presença do barco americano e seu infortúnio causaram, como é fácil imaginar-se, enorme impacto entre o povo daqueles êrmos do nosso litoral’’ nos conta Newton Carneiro, em um número da Revista Letras em 1974 (assim como diversos outros detalhes deste artigo). 

Renascendo do Caos

O Brasil foi, possivelmente, o país aonde Josua permaneceu por mais longo tempo em suas viagens. E por ironia do destino foi também aqui que se inicia uma grande mudança na vida de Josua, agora com 44 anos, que perde praticamente tudo de material que possui e passa para a classe da vela de lazer e de escritor propriamente dito. Posteriormente Josua desce na escala social pois o trabalho como capitão da marinha mercante ficou escasso. Viver como escritor no final do século XIX, época de crises e mudanças culturais não devia ser tarefa das mais fáceis. Inicia-se para Josua um período, se não em dificuldades financeiras, mas de dependência da colaboração de velhos companheiros.

De acordo com um texto publicado na revista francesa Chasse Maré nº 77, Josua queria voltar ao seu país de ’’peito erguido’’. Não era um homem de ficar ’’no chão’’. 

Então, como um remédio para uma grande doença, nasceu uma inspirada e feliz ideia que misturava humildade e persistência: Retornar aos Estados Unidos com toda a família pelos próprios meios...

Josua contou com o apoio de sua 2ª esposa, de seus filhos e das pessoas que o acolheram em Guaraqueçaba na concepção e fabricação do ’’Liberdade’’, um pequeno veleiro (apenas 9,67 metros), híbrido, com o casco de fundo chato inspirado no ’’doris’’ americano e armação do tipo sampan chinês, de velas com talas (similar ao junco) construído, em grande parte, com madeiras e equipamentos que conseguiu recuperar do seu navio Aquidneck (o restante foi vendido como sucata). Todos colocaram, literalmente, a mão na massa. O nome Liberdade foi escolhido em homenagem a Abolição da Escravatura do Brasil, em 13 de maio de 1888, mesma data do término do barco.

E assim , partindo no dia 27 de julho de 1888 da pequena Guaraqueçaba - PR  na companhia de Henrietta e dos 2 filhos Victor e do pequeno Garfield, em uma viagem difícil, percorreram 5.510 milhas em 53 dias. Do Paraná para São Paulo, em seguida rebocados para o Rio, aportaram em Cabo Frio para reparar o barco danificado numa colisão com uma baleia de mais de 20 metros, depois rumo a São Paulo (BA) na ilha de Tinharé, a seguir Salvador (forte tempestade no litoral baiano), Recife, Barbados, Porto Rico, Carolina do Sul e finalmente Washington em 27 de dezembro. O barco foi doado ao Smithsonian Institution onde durante muitos anos ficou exposto a visitação pública.

Um detalhe contado posteriormente pelo próprio Slocum foi de que a idéia de fazer a circunavegação em solitário a vela nasceu nesta viagem com o Liberdade.

No ano 2000 David Sinnett-Jones, um navegador Inglês homenageou o feito de Josua fazendo o mesmo percurso em uma réplica do Liberdade, o "Zane Spray":

Um dia irei a Guaraqueçaba e Antonina, na baía de Paranaguá-PR, respirar um pouco daquele ar de natureza que deixou Josua maluco... e ver se encontro o timão, o sino ou um pedaço do mastro do Aquidneck, que devem ainda estar na casa de um humilde pescador a minha espera... 

Eugênio Herkenhoff

Alguns sites consultados:

Livro ‘’Viagem do Liberdade’’:


Partes do livro sobre a viagem do Aquidneck:



Sobre a viagem comemorativa com uma réplica do Liberdade, o "Zane Spray":

14/05/2014

A revista "todos a bordo( ICES)" deste mês traz em destaque o concurso de fotos da Volta da Taputera, promovido pela Redenetimóveis.



Aos participantes do concurso de fotos da Locamaxx Rede Netimóveis, e Rede Netimoveis informamos que as LINDÍSSIMAS revistas do Iate Clube Espírito Santo, com as fotos , já estão disponíveis na Locamaxx. 
Temos um exemplar para cada participante!!

Bruder, um texto inédito sob ótica de Jan Willem Aten, seu amigo e proeiro.

Por Renato Avelar, Avelok the Yacht Man.
Prezados amigos nautas e amantes da vela de plantão, confesso aos amigos que as atividades por aqui não estavam das mais laborais, dado o crescimento do facebook perdemos um pouco da pegada na revista escrita, de um momento para o outro parece que ninguém tem  mais paciência de ler nada além de um post, numa dinâmica do excesso de informação sem conteúdo, viral, virótica e viciante, tal como algo que faz mal e não se larga.
Hoje , por cargas do destino que nos rege, ou melhor  pelas cargas da Deusa Fortuna, inicio a publicação de uma série de posts sobre o maior velejador que o Brasil já teve em sua época , um cara que se estivesse vivo seria uma lenda viva, haja vista o rol de prêmios internacionais que arrebatara numa época em que o esporte era amador, olha só isto:
11 vezes Campeão Paulista Finn(*)
8 vezes Campeão Brasileiro Finn(*)
3 vezes Campeão Sul-americano Finn
2 vezes Campeão Norte Americano Finn 
3 vezes Campeão Mundial Finn
2 vezes Vice-campeão Mundial Finn
2 vezes Campeão Jogos Pan-americanos Finn
1 vez Campeão África do Sul Finn
1 vez Vice-campeão Europeu Finn 
1 vez Vice-campeão Mundial Star
1 vez Campeão Norte Americano Star
2 vezes Campeão Bacardi Cup Star
1 vez Campeão Semana de Kiel Star
1 vez Campeão Copa Ouro Brasil-Argentina Star
2 vezes Campeão Sul-americano Star
1 vez Vice-campeão Europeu Star
3º lugar Campeonato Mundial Soling
1 vez Campeão Internacional Marstrand Soling

Que tal cara pálida!!??? isto sem contar os títulos nacionais.

Pois bem mes amis, o destino trouxe ao meu encontro o proeiro da lenda, do mito Bruder, e aos poucos, como em um vinho refinado, vamos saborear as postagens e reviver uma época que o esporte era praticado por nobres, e príncipes literalmente, a exemplo dos príncipes da dinamarca e da espanha que disputaram aquela longínqual semana de Kiel em 1972, ilustrando com pincéis de um mestre as palavras que seguem neste post da meia noite, chega então de Jeb Jeb e começemos os trabalhos:
Vai aqui o primeiro texto de Jan, um Nipo Holandês Brasuca, que era carinhosamente chamado por Bruder de Karatê.

Sem churumelas ou delongas, vamos então começar nosso encontro com a Lenda! segue o primeiro texto:



"Bruder velejava com grande maestria na técnica e na tática, sempre com uma atitude séria e
competitiva. Conhecia e desenvolvia o seu Finn, criando detalhes de peças e trabalhava
obcecadamente desenvolvendo menor peso e a melhor performance de flexão nos mastros
de madeira. Além disso, Bruder tinha muita força física e preparava-se com treinos de
permanência na escora em uma cadeira adaptada em sua casa.
No Brasil, além de ser professor de Geologia na Universidade de São Paulo, fabricava
mastros, retrancas e outras peças em madeira e alumínio. Bruder desenvolveu os mastros
de alumínio da classe Finn nas instalações da Tecelagem Santa Constância de seu amigo
Dino Pascolatto. Também tinha como amigo e parceiro comercial o fabricante de vela
austríaco Hubert Raudaschl.

Nos anos 60, depois de velejar de Iole Olímpico por algum tempo, despontou na classe Finn
vencendo o Campeonato Paulista por 9 vezes seguidas com grandes adversários como
Claudio Biekarck e Alex Welter, além de tantos outros. Participou de grandes campeonatos
no exterior, sendo 2 vezes campeão nos Jogos Pan-Americanos e foi Tri-Campeão Mundial
de Finn em seu barco, o “Neguinho”, numeral BL3.
Joerg Bruder começou a velejar internacionalmente na classe Star em 1971. Foi ao Mundial
na Venezuela com Claudio Biekarck na proa, seu grande adversário local na classe Finn e
terminaram como vice-campeões. Isso animou Bruder a escolher o Star para participar dos
Jogos Olímpicos de 1972. Além disso, Bruder estava decepcionado pela decisão dos
organizadores de fornecerem barcos da classe Finn o que impediria de usar seu próprio
equipamento.
Bruder então convidou Jan Aten, um velejador de Finn como proeiro. Utilizando o “Buho
Blanco”, numeral BL 5217, um Star de madeira adquirido no México, venceram o
Campeonato Brasileiro e 7º Distrito de Star no Rio de Janeiro. Em seguida foram campeões
na Semana de Kiel 1972 tendo 60 adversários da vela mundial na época que disputavam
vagas por seus países e desejavam competir nos Jogos Olímpicos, como Willy Kuhweide,
Escrito em 2009 por Jan Aten (jwaten@hotmail.com)
Alan Holt, H. Raudaschl, Uwe Mares, Flavio Scala, David Forbes, Stuart Jardine, David
Knowles e Pelle Petterson.

Bruder trabalhava diariamente para desenvolver detalhes nos mastros, no casco do barco e
nas velas. Criou uma peça de “self-tack” de buja na classe Star, uma inovação que permitia
bordejar rapidamente para vencer duelos de contra vento especialmente em ventos fortes.
Bruder e Aten treinavam em dias da semana na Represa Guarapiranga em São Paulo, com
o barco do Dino Pascolatto, montado similarmente ao “Buho Blanco” então na Alemanha.
Rebocavam o Star com o pequeno VW Variant na madrugada de sábados e voltavam no
domingo á noite depois de treinar na raia fora da Baía de Guanabara.
Bruder não se preocupava muito com a beleza e arrumação do barco, mas com a
performance e simplicidade de manobras. Um dia em Kiel, Paul Elvstrom, que velejava
então de Soling, veio ao “Buho Blanco”, subiu no trailer, olhou dentro do cockpit e vendo que
o barco era de madeira, exclamou: “How is it possible that this boat sails so fast?” (Como é
possível que este barco anda tão rápido?)
Em Kiel, durante Agosto e Setembro de 1972 quase todos os dias pela manhã e noite, Jan
Aten lixava o Star dentro da água gelada com roupa de borracha, limpando o casco, o leme
e a quilha, buscando maior velocidade. Preferiam os ventos fortes, ouvir mastro e estai
amento “zumbir” no vento, e a madeira do casco “ranger” nas ondas. “Planar” nas pernas de
través e de popa com gaibes rápidos era a especialidade.
Nas regatas em Kiel os ventos fracos dominaram os primeiros dias prejudicando a
expectativa e o material escolhido na medição. E o atentado em Munique interrompeu a
seqüência de regatas. Mas, após alguns resultados ruins Bruder e Aten conseguiram uma
Escrito em 2009 por Jan Aten (jwaten@hotmail.com)"

Continua...

13/05/2014

MEDALHA É O DE MENOS, é o que nos diz Jan Aten, proeiro de Bruder nos jogos de 72, fragmentos de entrevista antológica, que aos poucos será publicada na íntegra..

JAN WILLEM ATEN (VELA)

janwillen_660

MEDALHA É O DE MENOS

Por Nayara Barreto e Thyago Mathias
“A orientação foi substituída por muita pressão. Existe tanto ufanismo no Brasil, que acaba se vangloriando muito a competição e o fato de vencer. Os Jogos Olímpicos precisam ser encarados com um espírito de colaboração, onde todos se ajudam e não lutam um contra o outro...”
O nome, de origem holandesa, herdado de família, não chega a ocultar a brasilidade de Jan Willem Aten, quando se olha para a história do olimpismo em nosso país. Foi por uma diferença de apenas 2m, na última regata da classe Star dos Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha, que ele não trouxe para a Vela brasileira uma medalha em 1972. Faltou muito pouco, para quem havia conquistado todos os títulos mais importantes do iatismo naquele ano.
Sem, entretanto, desmerecer a importância dos resultados, Aten ressalta ao Memória Olímpica valores que vão além da combinação ouro, prata e bronze. Tratando a fundo do significado do olimpismo, ele mostra porque foi considerado o melhor proeiro do mundo, pela Federação Internacional de Vela.
..... Os Jogos Olímpicos precisam ser encarados com um espírito de colaboração, onde todos se ajudam e não lutam um contra o outro. Quando o atleta entende esse espírito, essa filosofia, ele entende melhor a importância do esporte para a socialização. Isso está em falta no Brasil. O atleta só vai lá para fazer tempo e ganhar medalha e deixa de perceber verdadeira importância dos jogos olímpicos.

Breve continuamos.


Snipes em Vitória-ES, 1978 ou 1979. Morgan Stwart e Mario Aguirre.


Harry Manko, sempre com filmes sensacionais e gozadíssimos!

Um vídeo de compilações da Volvo Ocean Race, a volta ao mundo.

Os nós mais usados no mundo náutico, uma vídeo aula, aprenda para não chamar cabo de corda!