23/09/2011

O Ex Tipapo, atual sir Wallace, a história desde o começo, matéria em reprise nesta revista.



Este é o belo trabalho do skipper contratado para o transporte: o barco em pandarecos e ele deu no pira.






avelok no timão , só alegria.



Com o Guto em "primo" plano, primeira velejada. Aqui em cima a casa do guto, o vento tava casca. Abaixo saindo do clube para a regata , este mastro foi a última vez que o vi.










40 nós de vento, e o guto limapando o escalpo que a retranca lhe fizera
o primeiro contato com o Halftonner


Muito orgulhoso embaixo do halftonner.

O ano era 1983, e foi para a água o décimo segundo barco da série Half-tonner da Fast Yachts, batizado com o estranhíssimo nome : " Tipapo".
Disse o Jadir Serra , que este barco tem este nome pois brigava com o seu irmão também Half-Tonner "Talento", ti-papo.. tá-lento... tá lento tipapo, p.q.p...de toda forma acho estes dois nomes uma tremenda falta de criatividade , ou no mínimo de sentido, na minha opinião , dar nome a barco é batizar um filho, e se o cristão dá estes nomes "engraçadinhos" pega mal, você ia batizar seu filho com um nome tipo: um dois três de oliveira quatro, pelo amor de Deus, com estes nomes já se vê que é poita leigo só de avistar a popa.
Me disseram que este barco já foi do Eduardo de Souza Ramos, que foi ele o primeiro dono, todavia não tenho nenhuma informação oficial que confirme isto, me cheira a lenda ," para valorizar o passe" do barco.

Durante muitos anos este barco esteve pros lados de sampa/santos/ilhabela e fui encontrá-lo em um anúncio no site da Bl3 e fui conhecê-lo no ICSC em Florianópolis.

Na verdade estava procurando para compra um barco de 23/24 pés, pois a grana estava curta, mas quando o "broker/skipper/leigo( que na frente saberão por que)" me falou que o barco era 52 mil reais , fiquei pilhado.

Passei minha adolescência e infância nos anos 80 , assim sendo sou fã das coisas da época, e o Half Tonner era simplesmente o melhor que havia na época.

O Broker/skipper/leigo, me deu o telefone do proprietário , um cara muito simpático, o Guto de Matos, com quem conversei e acertei o preço do barco. Como o motor mold que estava no anúncio não estava apto a fazer parte do esquema, baixamos o preço para 48 milhas.
Combinamos que iria a floripa ver o barco e testá-lo e se eu ficasse com ele , o Guto pagaria um trecho da viagem e me hospedaria em sua casa.

Belezma, fui... no dia 10 de setembro de 2004 , estava chegando no voô da meia noite a Floripa, e o Guto me pegou no aeroporto , me levou para sua casa. Eu doido para tomar uma gelada , dar um rolé na noite catarinense, todavia o lançe foi ir para a casa do Guto , tomar um leite quente , comer um misto e dormir , pois o cara é 200% família e eu como convidado tive que seguir a "banda".
Tava frio pracaramba, o vento sul rasgando, e a casa do Guto fica na ponta de Sambaqui, fiquei hospedado numa espécie de salão de jogos, área de leitura, salão , ou seja um anexo maneiro da casa .
O cara era uma peça, tinha uma canoa de mais de 100 anos na casa dele, chamada "Conceição", seu histórico esportivo era amplo, no mergulho, hipismo, corridas de canoas e outras aventuras.

Sábado, dia 11 de setembro de 2004.
Acordamos cedo , um frio ducacete, vento sul forte, fomos tomar café na casa do pai do Guto, um simpatissíssimo senhor que agora não me recordo o nome, e aprendi uma coisa que até hoje pratico: o red bull natural, o Guto é que tomava e achei excelente e super "ligante":
Um belo de um café forte puro, com bastante mel de abelhas, bicho! dá uma energia de verdade.
Café tomado e eu estava pilhado para ir ver o barco, velejar finalmente, dar um rolé, fomos então para o clube.
Lá chegando o Tipapo já estava na água( ele morava no seco), pronto par velejar, fiquei amarradão, apesar do barco estar muito judiado, surradíssimo, e o motor ser uma merda, um toyama de 8cv , 1 cilindro, sem reversão e que fazia um esporro daqueles, adorei o bicho.
Entrei a bordo, olhei uma vez, olhei a segunda, o coração batendo forte, a alegria , a realização de um sonho acontecendo, saí da cabine afobado, sem segurar a ansiedade e falei pro Guto:
- Se você me entregar este barco em Vitória o negócio fechado.
Combinamos na negociação que ele me entregaria o barco no Rio , que ele mesmo iria levar o barco até lá e que eu de lá pegaria o barco para vir para vitória.

Naquele dia , haveria a regata Floripa-Fortalezas, um regata grande á beça, e o vento estava na casa dos 20 nós pelo início da manhã.
Fomos para a raia, ao todo haviam 12 barcos na largada, que seria bem perto do clube , em frente á marinha.
Largamos umas 10 e meia -11 horas, não lembro bem , todavia o vendo começou a apertar e rapidamente chegou a casa dos 40 nós, frio e molhado pracaceta.
Fomos empopados rumos as fortalezas, tive o prazer de timonear o bichinho e chegar pela popa dos adversários tirando aqueles fininhos, adoro isto, ainda por que estava nos cascos, treinadíssimo depois de uma regata trindade, com 1 semana de empopada e atravessadas.
Mas a coisa estava feia, logo ao nosso lado, uns 50 metros atras vinha um velamar 29, com balão em cima, o cara corajoso, estava ele meio puto comigo pela fina que tirei de sua popa e pela sombra que dei nele para chegar junto e passá-lo, deve ter colocado o balão por isso , daqui a pouco o mastro do velemar foi pro saco, ou melhor para a água.
O Guto deu uma vacilada e tomou uma retrancada que tirou-lhe um pequeno escalpo e fez o melado escorrer.
Fomos a empopada toda com a g3 e grande em cima, mas ao montar a boia para retornar , baixamos a grande no rizo máximo e g3.
Que porradeiro, a esta altura só tinham 4 barcos na água , e voltando de contra vento, molhando pracaramba, frio pracaramba, nada para comer, só agua e chocolate.
Na tripulação estava o antônio moura ( leigo total) o rodrigo piloto de avião eu e o guto.
Tava tão foda o vento, que tivemos que cortar a escota encaralhada umas 3 vezes.
E depois de chegar, corrente contra, vindo do sul e a gente tentando ir para o clube, não conseguimos passar debaixo da ponte com aquele motor de merda.
Todavia me chamou a atenção um carabelli que tinha um motor de 14hp honda e rompeu a correnteza, pensei comigo , vou botar um desses aqui.
Chegamos ao clube, pedi um scoth para matar o frio, mas não desceu, fui para o vestiário do clube, coloquei uma roupa seca e depois fui comer um churrasco de confraternização.
O pessoal de floripa é nota 10, te recebe super bem sem ser "fake", nem exagerado, coisa de gente fina, coisa de Yachtman.
Já conhecia o clube, tinha dado uma boa rodada por lá , e também a galera da vela , correra o brasileiro de optmist em 84 na lagoa da Conceição e fiquei hospedado na casa de amigos velejadores da ilha, conheci esta turma em João pessoa em 82, durante o brasileiro de optmist, como fora sozinho,( só eu e papai), a galera do ICSC nos "adotou" e ficamos em seu alojamento, a turma era: O Confa, o Vareta, o Chileno, os irmãos Edson e o Sergio Vianna"seu menino", o Pierre Shurman,( que depois passou uma boa temporadad em vitória com o Guapo) e alguns outros.
Passamos um mês na ilha, hospedados na casa do Confa, dias maravilhosos.
No dia seguinte só deu tempo de ir dar mais uma olhada no barco , tomar umas 2 geladas e ir embora para o aeroporto para voltar.
Tudo muito corrido.

O Guto não pode levar o barco o Rio e contratou o Antônio Moura ,que por sua vez chamou 2 caras sem experiência para ir com ele .
Como nem ele , nem o Guto , nem eu confiávamos naquele toyama de merda, despachei um motor de popar para auxiliar o transporte, que de nada adiantou , pois queimou a caixa preta no primeiro uso, até hoje desconfio do moura.
Fui para o Rio com minha tripulação( Jens e Ennio Modenesi) para pegarmos o barco, estávamos em contato com o Moura pelo Celular e pelo canal 68.
No dia combinado de chegarem , estávamos a postos no ICRJ desde as 7 da matina, lá chegando fui direto a sala de rádio e peguei a confirmação:
Tipapo chegando ás 10 da manhã.
Beleza , ficamos esperando.
Deu 10 horas, deu 11, 12 , 13 , 14 , 15 , 16, ás 16:30 o celular toca e o Moura comunica que está sendo rebocado pela marinha do Brasil com o mastro quebrado e um tripulante atingido na cabeça por uma retinida, o barco foi apreendido pela marinha.
Que merda!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E eu já tinha pago 100% o valor do barco.
O combinado era eu pagar 50% antes e 50% na entrega, todavia os bancos estavam em greve nesta época e para nçao furar o compromisso com o vendedor, fui antes ao banco e fiz o ted integral.
Mas teve o lado da sorte, havia assegurado o barco antes de sua saída e Floripa.
O escroto do moura além de feito uma cagada sem precedentes, um belíssimo Jibe chinês na altura da restinga da marambaia , que além de trazer o mastro quebrado para trás, arrancou do casco os suportes do runners, caiu fora o mais rápido possível.
Só fui ver o barco no dia seguinte, estavam atracados com o que sobrou do barco em Itacuruçá, , na restinga da marambaia, e lá chegando ao vermos o barco, o Ennio falou comigo:
-vamos embora renato, esta barco não é o que vc comprou.
O barco estava destruído, as velas em frangalhos, o mastro quebrado para trás, o costado todo abalroado, cabos emaranhados para todo o lado, fuligem cobrindo o barco inrteiro, e o Moura...
Fez bonito!!!pegou uma carona com a gente , deixando o barco exatamente como descrevo aí em cima e nunca mais.
Aliás , este cara , acabei até sentindo pena dele, pois uma alma destas precisa de pena , por que só faz asneira e não tem responsabilidade nenhuma, quando contratar um skiper, procure saber tudo sobre o cristão, senão vc pode se f.....
Deste acidente até o barco chegar em casa, foram 4 meses de reformas no ICRJ, um puta burocracia por parte do seguro e coisa e tal, mas o pessoal que consertou barco para mim foi nota 10, aproveitei e injetei uma grana para dar um Lift no barco, o barco custou 48 milhas e o conserto 39 milhas.

agradeço
- O Renato Figueiredo da Nautos
-O Márcio Sombra Soares e o Muller
-O pessoal da Farol- Sidiana e cia
-a Sandra do ICRJ-diram
- O lucky que me hospedou gentilmente na embaixada na rua lauro Muller
etc.
Quatro meses indo em vindo, a grana acabando, mas finalmente o barco ficou pronto!!

Foi para a água, na semana seguinte iria buscá-lo com a tripulação.
De repente estou no escritório em Vitória, e o telefone toca:
Era o Sombra, falando que durante a noite o barco se soltara das amarras na Piscina do ICRJ, foi navegando sozinho, passando pelo meio daquele monte de barcos atracados na urca e foi encalhar na praia de Botafogo, só dando uma porrada no costado de Bombordo ao sair da marina , batendo na amurada da entrada do píer.
Milagre, mistério, tentativa de reoubo, sei lá?!
No carnaval de 2005 , fomos eu , Léo Cú e Jens buscar o barco,( continua.)

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